O Cacuriá, é uma dança de roda sensual típica do Maranhão. Surgiu a partir da derrubada do mastro, que representava o fim da festa do Divino Espírito Santo. As caixeiras (mulheres que cantam e tocam as caixas, instrumentos de percussão na festa do Divino Espírito Santo), portanto, se reuniam para lavar as louças e prestar contas.

Era um momento de descontração onde as caixeiras tocavam o Carimbó das caixeiras, conhecido também com Carimbó de caixa ou Baile de caixa. O Cacuriá foi inspirado no Carimbó das caixeiras!

Tudo aconteceu quando Dona Zelinda Lima, que era presidente do folclore no Maranhão, teria pedido Alauriano Campos de Almeida, popular Lauro, para criar uma coisa nova por já estava enjoada de Bumba-meu-boi, quadrilha e Tambor de Crioula.

Em visita ao seu interior, na cidade Guimarães, Lauro e sua esposa Dona Filoca retorna a capital maranhense em 1975, com essa dança que rapidamente se difundiu, não apenas no Maranhão, mas em diversos estados do país.

O nome Cacuriá surgiu lá mesmo no interior de Lauro. O povo se reunia para cantar e eles pegavam os cacos de cuia e começavam a bater, criando seu próprio Carimbó. Dona Filoca junto com seu esposo que fazia a festa do Divino em São Luís, juntou o Carimbó do Guimarães com a festa do Divino, padronizaram, organizaram, fizeram algumas modificações e criaram então o Cacuriá.

Em São Luís, uma das caixeiras do grupo de Lauro e Filoca, Almerice da Silva Santos (1924), mais conhecida como Dona Tetê, é convidada em 1980, para integrar o Laborarte. Lá ela, forma grupos de Cacuriá com crianças de escolas públicas do Estado.

Em 1986 ela cria, o que hoje é conhecido como o Cacuriá de Dona Tetê, sem dúvida, o Cacuriá com maior reconhecimento no país, servindo de referência para o gênero na atualidade.

Na voz de Dona Teté, o Cacuriá ganhou conotações ainda mais sensuais, no entanto, manifestação não perdeu sua natureza interiorana. As canções ganham versões em duplo sentido, mas continuam fazendo alusão as suas raízes rurais.

Referências

HARTMANN, Luciana. Cacuriá: dinâmicas de uma tradição dançada. 2010. Curso de Artes Cênicas, Unb, Brasília, 2010.

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