Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira, de 1789, Vila Rica, foi um movimento conspirador da burguesia, que tinha como objetivo criar uma nação independente e republicana, livre da corte portuguesa. Esse movimento teve como principais influências a independência dos Estados Unidos e na Revolução Francesa.

O Brasil tinha alcançado um grande desenvolvimento econômico no século XVIII, graças à mineração de ouro, porém a população encontrava-se cada vez mais insatisfeita com Portugal, que cobrava impostos cada vez mais abusivos.

No ano de 1720, a coroa portuguesa cria as casas de fundição, para garantir a cobrança do imposto conhecido com “quinto” pela qual a quinta parte da produção do ouro devia ser entregue à coroa. Em 1750 a mineração começou a entrar em declínio progressivo, o ouro brasileiro estava se esgotando.

Mesmo assim a coroa portuguesa continuava a cobrar altos impostos, pois acreditava que os mineradores estava escondendo ouro e para manter maior controle sobre o minério, decretou um Alvará no dia 5 de janeiro de 1785, que proibia a instalação de indústrias, além de decretar o fechamento de todas manufaturas de tecido e a destruição dos teares, mesmo os de uso doméstico. Além disso, proibiu do uso de estradas para o litoral (para impedir o contrabando do ouro), a proibição dos serviços de correios (para evitar a difusão de ideias entre capitanias).

Em 1788 chega em Vila Rica um novo governador, D. Luís Antônio Furtado de Mendonça, o Visconde de Barbacena, que foi nomeado pela corte para cobrar os quintos atrasados por 12 anos, que chegava a soma de 528 arrobas. Visconde de Barbacena ameaçou lançar a derrama (cobrança de impostos atrasados), em que as tropas portuguesas escolhiam uma vila na região das minas, invadiam as casas, retiravam todos os objetos de ouro que encontrassem pela frente até completar a quantia devedora.

Diante de tanta opressão, um grupo de brasileiros passaram a se reunir nos casarões de Vila Rica e a planejar uma rebelião contra o governo português. A ideia de independência estava cada vez mais forte entre os homens do movimento, que se reuniam frequentemente nos casarões para discutir assuntos relacionados à situação econômica e política em que viviam. O ouro havia possibilitado que vários desse rebeldes tivessem estudados na Europa e de lá trouxeram consigo ideias iluministas que defendiam a libertação dos povos.

Os inconfidentes

O grupo de inconfidentes eram formado por intelectuais, mineradores, médicos, militares, padres, comerciantes ricos e poetas, que se organizavam para enfrentar a metrópole. Entre os inconfidentes, podemos destacar José Álvares Maciel, Francisco Paula Freire de Andrade, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Inácio José Lopes de Alvarenga Peixoto, Padre Carlos Coreia de Toledo e Melo, Padre Manuel Rodrigues da Costa, Padre José da Siva, Padre Oliveira Rolim, Luís Vieira da Silva e Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Tiradentes tinha nascido na região das minas no ano de 1746. Era um homem pobre, tinha sido garimpeiro e tropeiro, porém deixou a aventura do ouro para seguir a profissão que havia aprendido com o padrinho, a de dentista. Naquela época não havia tratamentos dentários, a solução era arrancar o dente quando doía. Daí o apelido de Tiradentes.

Aos 29 anos Tiradentes ingressou na carreira de militar, no posto de alferes (espécie de cabo). Devido sua profissão conheceu várias localidades, o que facilitou seu contato com a população de muitas vilas. Tiradentes sem dúvida foi um dos mais radicais ativistas da Inconfidência Mineira.

Os objetivos do movimento

Os principais objetivos dos inconfidentes eram:

– proclamar a independência;

– proclamar a república, com a capital em São João Del Rei, Minas Gerais;

– liberdade de comércio;

– instalar fábricas (tecido, ferro, pólvora vidro);

– criar uma universidade e uma Casa de Moeda em Vila Rica;

– distribuir terras para as famílias mais pobres;

– incentivar a natalidade dando prêmios às mães que conseguissem gerar muitos filhos;

– adotar uma bandeira com um triângulo vermelho num fundo branco em honra a santíssima trindade e a inscrição: Libertas quae sera tamem (Liberdade ainda que tardia) frase do poeta romano Virgílio, sugerida por Alvarenga Peixoto.

Alguns inconfidentes ainda chegaram a propor o fim da escravidão, porém outros descordaram, pois muitos deles eram proprietários de escravos.

A traição

A revolta aconteceria no dia da derrama e a senha para iniciar a revolta seria “Tal dia é o batizado”. O ano era 1789, corria o suspense que de o governador português iria decretá-la. A região das minas devia 8.940 quilos de ouro em impostos atrasados. Estava tudo pronto para a revolta, mas ela não aconteceu.

Os inconfidentes foram denunciados por três traidores: Basílio de Brito Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona e o fazendeiro, minerador e coronel Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia em troca do perdão da dívida que devia a Portugal, cerca de 220 mil contos de réis.

No dia 15 de março de 1789, Silvério dos Reis foi até ao governador Visconde de Barbacena, em Cachoeira do Campo e denunciou os companheiros. Uma semana depois Visconde de Barbacena mandou cancelar a derrama e ordenou a devassa (sindicância para apurar um ato criminoso).

Tiradentes foi preso no dia 10 de maio de 1790, na casa ourives na rua dos Lotoeiros, atual Gonçalves Dias, Rio de Janeiro, os outros foram presos em Vila Rica e levados também para esse estado. Com exceção de Cláudio Manuel da Costa, que foi encontrado morto em uma cela poucos dias depois de ser preso. Ele se acovardou e acusou os companheiros, em especial Tiradentes. Ninguém sabe o verdadeiro motivo de sua morte, porém a hipótese mais aceita é de que ele se suicidou.

Por ordem de D. Maria I, foram abertos dois processos, um no Rio de Janeiro e outro em Minas Gerais. A devassa durou três longos anos. E em abril de 1792, foi pronunciada a primeira sentença que condenou 11 réus à “morte natural para sempre”. Depois as sentenças foram alteradas, somente Tiradentes foi condenado à morte os outro receberam a pena de degredo nas colônias portuguesas da África.


Morte de Tiradentes

Tiradentes assumiu toda responsabilidade do movimento e afirmara ter agido sozinho “sem que outra pessoa o movesse ou inspirasse coisa alguma”. No dia 21 de abril de 1792, na cidade de Rio de Janeiro, por volta das nove horas da manhã, Tiradentes subiu no patíbulo com serenidade e firmeza e então o carrasco ajeitou o laço e se dirigiu para uma alavanca no fundo do patíbulo. Puxou a alavanca e o chão sumiu debaixo dos pés do condenado. Tiradentes estava morto.

Seu corpo foi esquartejado e exposto no caminho do Rio de Janeiro a Vila Rica para assim servir de lição à população.

Joaquim Silvério, o traidor,  morreu rico quase trinta anos depois de ter traído seus companheiros. 

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