A pandemia afetou a atividade pesqueira

A atividade pesqueira foi diretamente afetada pela pandemia que se instalou no país. O isolamento social fez com que diminuísse a procura pelo pescado, provocando uma queda em sua comercialização. O impacto causado na atividade extrativista, que é muito importante para a economia de São Luís, acabou por colocar em risco a renda de muitos pescadores, os obrigando até mesmo, a buscarem atividades complementares.

Barco de Pesca – Foto: Felipe Matos

A pandemia mudou os planos e a rotina de trabalho dos pescadores. Luiz Ricardo que trabalha cinco anos como pescador, afirmou que “A maior dificuldade que tivemos, foi que demanda diminuiu e a renda também. Como a queda nas vendas, pegávamos peixes mais para o nosso próprio consumo e para nossos familiares. O quadro de funcionário teve que diminuir porque as despesas eram maiores, e tudo isso contribuiu para que este ano tivéssemos uma menor produção”, comentou. 

Visando diminuir o impacto causado no setor, o secretário de Agricultura, Pesca e Abastecimento de São Luís, Émerson Macêdo, conta que várias medidas foram tomadas pela secretaria, “A pandemia afetou a comercialização do pescado tal como outros setores, a secretaria vem dando apoio técnico como práticas de conservação de pescado para que o pescador possa ter o mínimo de perdas possíveis. E para os produtores, o incentivo de insumos para suas criações, juntamente com o treinamento técnico e uso de ferramentas do diagnóstico rural participativo” disse.

A pesca é essencial para culinária local, uma vez que muitos pratos típicos usam pescado, é o caso da torta de caranguejo, da peixada maranhense e até mesmo prato símbolo do maranhão: o arroz de cuxá, que leva camarão em seu preparo. A atividade que é muito importante para a economia local, se viu afetada por conta do fechamento de restaurantes e a crise no setor de turismo, que fez diminuir a procura por esses pratos.

O secretário Émerson Macedo destaca a importância da atividade para a economia de São Luís, principalmente para comunidades rurais “A pesca é muito importante para a economia de São Luís que por ser uma cidade de litoral e com grandes áreas de acesso aos rios, acaba sendo responsável pela criação e manutenção de empregos nas comunidades rurais, contribuindo para o beneficiamento e comercialização nas feiras locais e até nos portos espalhados na cidade mesmo”, ressaltou.

Dados de 2020, apontam que a piscicultura cresceu no Maranhão em 2019

“O Nordeste possui uma costa de aproximadamente 640 km e o Maranhão se destaca no Nordeste como o maior produtor de pescado da região, o que torna a atividade pesqueira maranhense a segunda atividade econômica mais importante do estado, e São Luís não poderia ficar de fora, já que possui portos espalhados pela cidade”, afirmou Émerson Macedo.

Segundo um levantamento publicado este ano pela Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) em 2019, a produção de peixes no Maranhão cresceu 15,2%, o estado continuou como o 6° maior produtor de peixe do Brasil, com uma produção de 45.000 t. Ainda de acordo com a pesquisa o Maranhão é 3° maior produtor de peixes nativos com uma produção de 38.511 t.

Em São Luís dados do IBGE aponta que o Tambacu, Tambatinga, Tambaqui, Tilápia são a principais espécies produzidas pelos piscicultores. No ano de 2019 essas espécies alcançaram a marca de 44001 quilos.

Os pecadores

Pescadores de saída para pescar – Foto: Felipe Matos

Dos mares aos pontos de venda, o pescado passa por diversas fases. A pesca se inicia cedo do dia, é trabalho feito geralmente por os homens, as crianças e mulheres ajudam limpando o peixe ou vendendo.

É importante para pescador conhecer o vento e as fases da lua, e como estes influenciam as marés. Esse conhecimento assim como também o processo de fabricação dos instrumentos de pesca, é ensinado de geração em geração.

“No período da semana santa é melhor período para pescar, pois a demanda é maior, temos mais pedidos e a venda sai melhor. Nós geralmente pescamos mais no inverno, porque o mar fica mais calmo, a viagem é mais tranquila e gastamos menos óleo de que no verão, que ao contrário, o mar é muito agitado e a viagem demora mais”, complementou Luiz Ricardo.

Os pescadores se mantêm otimistas com a recuperação gradual da atividade pesqueira, e apostam no próximo ano e em datas como a semana santa para superação do setor.

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