A pandemia fechou as portas de negócios, mudou a forma de comprar e vender, elevou o preço dos alimentos e mudou o comportamento dos consumidores

Em meio à pandemia o comportamento do consumidor mudou e as compras pela internet aumentaram. Os comerciantes, portanto, tiveram que se reinventar, mudar o atendimento e as estratégias de marketing. A pandemia fez com que muitos estabelecimentos comerciais aderissem ao serviço “delivery” ou o Drive-thru. O período de mudanças na forma de comprar e vender foi marcado também por turbulências no mercado, provocando alta nos preços dos alimentos.

Movimentação de consumidores na Rua Grande, São Luís – Foto: Felipe Matos

A distância foi um fator determinante para os consumidores. Muitos, na fase mais aguda da pandemia, evitaram se deslocar e passaram a comprar em comércios dos bairros, a fim de evitar aglomerações nos grandes supermercados e diminuir os riscos de contágio. “No começo da pandemia não tivemos aumento no movimento, acho que por medo. Mas depois aumentou, e eu sempre ouvia os clientes falando que os grandes supermercados não tinham controle, era muito mais aglomerado e a demora no atendimento tinha ficado maior”, afirmou Ironilson Aguiar, administrador do comércio Casa Econômica.

Por causa do coronavírus, diversos setores tiveram que paralisar suas atividades e demitir funcionários para reduzir os gastos. Empresas ficaram sem saída, muitas faliram, tiveram que fechar as portas devido ao baixo retorno financeiro nos negócios, ou continuaram trabalhando com dificuldades. As consequências da pandemia fizeram com que o setor do comércio registrasse a pior crise, ficando atrás apenas da crise de 2008, como aponta os dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em São Luís, dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (FECOMÉRCIO-MA) apontam que o nível de retração do consumo foi de 45% no período de restrições das atividades econômicas do comércio local. Os setores que tiveram uma queda mais acentuada foram o de vestuário, calçados e livrarias, que acumularam as maiores perdas no período.

Apesar da retração no consumo o número de novos estabelecimentos comerciais apresentou um saldo positivo. O resultado favorável foi puxado, principalmente, pelas lojas dos gêneros alimentícios. “O setor comercial indica um saldo positivo de 377 postos de trabalho formais criados de janeiro a agosto de 2020, com destaque para inaugurações de novas lojas entre as redes varejistas de gêneros alimentícios na capital influenciando nesse saldo positivo”, informou o Superintendente da FECOMÉRCIO-MA, Max de Medeiros.

“No começo da pandemia tudo ficou mais caro repentinamente, porém, 70% dos meus clientes são fiéis, ou seja, todos os dias estão no meu comércio comprando. Foram esses que me salvaram no começo, mas depois de algumas semanas as pessoas foram tendo consciência de que não era nossa culpa”, disse o comerciante Ironilson Aguiar.

A pandemia eleva os preços dos alimentos em São Luís

Segundo dados do IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, em São Luís, registrou elevação de 1,00%.  A alta é segunda maior desde que o IPCA passou a ser medido, em maio de 2018. O resultado fica atrás apenas do IPCA de dezembro de 2019, quando a inflação em São Luís chegou a 1,47%.

Dados do IBGE – Infográfico: Vando Maciel

O setor de alimentação e bebidas foram os que mais contribuíram para a alta na inflação em São Luís, com uma elevação de 2,77%. O acumulado para o ano de 2020 chegou a 6,98%. O aumento em setembro foi o segundo mais alto, superado apenas pelo IPCA de dezembro de 2019, quando a inflação chegou a 4,74%.

Dados do IBGE – Infográfico: Vando Maciel

A elevação no setor de alimentos e bebidas em setembro foi impactada, principalmente, por alimentos como o arroz e carne, que tiveram um aumento de 8,65% e 7,95% respectivamente. A elevação não foi maior porque houve um recuo nos preços de importantes itens de alimentação da cesta básica dos ludovicenses, como frutas (principalmente banana prata e melancia) -1,83%, pescados (em destaque, tainha e pescada), -0,40%, e a cebola, -17,34%.

O comércio acredita na Black Friday para alavancar suas vendas. A data marcada por promoções que chegam até a 80% de desconto, tem um impacto direto no comércio. Segundo a FECOMÉRCIO-MA, esse impacto pode ser sentido apenas nas grandes redes de varejo. “95% dos negócios são formados por micro e pequenas empresas, e esses estabelecimentos têm margem estreita para oferta de descontos expressivos que possam causar um efeito sobre o fluxo econômico local”, destacou o Superintendente da FECOMÉRCIO-MA, Max de Medeiros.

A Black Friday acontece sempre na última sexta-feira do mês de novembro. Este ano irá acontecer no dia 27, e a expectativa é que a data diminua os prejuízos causados pela pandemia.

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