A crise humanitária na Venezuela fez venezuelanos se refugiarem em São Luís

Venezuelanos refugiados vivem espalhados em São Luís e em outras cidades do Maranhão em busca de emprego, alimentos e melhores condições de vida. Diante do atual cenário da Venezuela, marcado por um colapso econômico, a única forma que as pessoas do local encontraram para fugir da crise foi imigrando para outros países.

Domar é um refugiado venezuelano, faz parte da etnia indígena Warao, veio da cidade de Tucupita, capital do estado de Delta Amacuro, para o Brasil em busca de uma vida melhor. ‘’Na Venezuela não tem muito o que comer e nem trabalho, por isso estou aqui. Sinto saudades do meu país, das minhas tias, minha mãe, e meus avós, e se Deus quiser, voltarei para lá assim que as coisas voltarem ao normal”, comentou.

Domar, venezuelano refugiado pede dinheiro para comprar alimento para a filha – Foto: Vando Maciel

Além de deixar para trás seus hábitos, idiomas, costumes e famílias, os imigrantes ainda se esforçam para sobreviver diante da pandemia da Covid-19, estando vulneráveis ao contágio, e tendo poucos recursos para se proteger. Domar afirmou que usa máscaras e sabão para se proteger do vírus. Comentou que além das dificuldades econômicas, fala muito pouco o idioma português, o que implica desafios para obter informações sobre como se proteger do coronavírus. “É difícil, consigo informações na padaria de como usar sabão para me proteger”, revelou.

Diante das dificuldades enfrentadas pelos imigrantes, foi implantado em São Luís o Centro de Referência para Atendimento de Imigrantes e Refugiados. O Centro faz parte da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (SEMCAS), e tem como objetivo ajudar pessoas de diferentes países que chegam à capital. 

Segundo Cláudia Nunes, coordenadora do Centro de Refugiados, há mais de 160 usuários cadastrados. Estes não estão em situação de rua, e recebem todo o apoio e ajuda que precisam para se estabelecer melhor na cidade. “Somos um Centro especializado responsável pelo acolhimento, sendo uma porta desses usuários para o sistema de assistência básica. Temos uma equipe formada por diversos profissionais que buscam atender as necessidades destes imigrantes da melhor forma. Eles estão em constante movimento, não buscando apenas um lugar para morar, mas procurando recursos para se manter, e também mandar dinheiro para seus parentes na Venezuela”, contou a coordenadora.

Cláudia Nunes comentou ainda, o quanto se sente gratificada em ajudar os refugiados e como o Centro de Imigrantes e Refugiados age diante dos casos. “Em muitos casos, a equipe vai ao encontro e identifica as necessidades que eles têm (como estão, aonde), faz estudos dos casos, e encaminha para a rede de assistência social para serem ajudados. Para nós, é uma experiência enriquecedora, servir de referencial, onde eles buscam ajuda e apoio. Nos coloca diante do outro e nos mostra que a experiência do outro pode nos ensinar a amadurecer e a valorizar o que temos”, destacou a coordenadora.

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