Rafael Bruno, embaixador da gastronomia maranhense, conta um pouco da sua  história de vida

Começo

“Eu posso brincar que a culinária veio na minha vida desde de criança, eu acompanhava minha avó e ela perguntava o que eu queria ser quando crescer. Eu falava que queria ser cozinheiro de restaurante. Depois de um tempo, a minha vida foi mudando um pouco. Comecei a cursar Direito e depois de um tempo, a gastronomia meio que veio para me salvar! Sempre falo que eu tenho praticamente um débito com a gastronomia, por todo impacto que ela teve na minha vida, a gastronomia tem um poder muito grande de transformação. Com 16 anos, eu tive depressão, tentei o suicídio e fiquei uma semana desacordado. Eu tive com Deus, eu conversei com ele e eu apenas me lembro das palavras (Enquanto você plantar o amor, eu estarei contigo), Quando acordei, ficou marcado na minha vida.

“Depois de um tempo, eu conheci o Marcelo que tinha um restaurante e hoje é meu sócio. Eu já estava no quarto período de Direito, quando abracei as panelas, e foi ali que o restaurante apareceu na minha vida. Hoje eu voltei a cursar Direito. Estou cursando a parte de Jurídico dentro da área gastronômica. E depois de conhecer o Marcelo a gastronomia voltou para a minha vida.”

Preconceito

“O preconceito é uma questão cultural. Pra gente que é do Nordeste tem aquela coisa que lugar de homem não é na cozinha. No interior tem aquilo que a mulher fica no fogão e o homem não. Então existe um preconceito no geral e a gastronomia está tentando tirar esse preconceito. Nós vemos hoje todas as classes trabalhando dentro da cozinha. A gastronomia está apresentando essa diversidade até mesmo por conta desses reality shows que acabam contando um pouco da história de vida das pessoas”

“A depressão veio porque eu não me aceitava com homossexual. Tive conflito interno que acabou me trazendo transtornos. Minha mãe sempre me apoiou em tudo. Porém, eu tinha medo do meu pai, de amigos e como seria minha vida. Hoje eu não vou dizer que a sociedade começou a aceitar um pouco mais. Eu acho que os homossexuais começaram a se enxergar, mostrar seu valor, mostrar que são pessoas normais. Se parou se ter aqueles guetos.

Prêmio

“Já com restaurante, eu me inscrevi em um concurso. O melhor PF do Brasil foi ali que eu cozinhei o meu primeiro feijão no concurso!! (risos…). Fiquei entre os cinco melhores do Brasil e fiquei em segundo lugar naquele ano. E lá eu conheci vários chefes de cozinha que me mostraram o outro lado da gastronomia (a gastronomia como ciência). Eu pensava que era só dom, só jogar na panela. Eu não tinha na minha cabeça a questão de técnica. Quando voltei do melhor PF, eu vim transformado mais uma vez. Na época eu não tinha condição e depois de um tempo eu consegui me matricular no CEUMA. Passei no vestibular e comecei o curso. Hoje sou especializado em cozinha oriental, brasileira e italiana. Eu sempre falo que eu sou casado com a cozinha brasileira, tenho um caso com a italiana e ainda dou uma pulada de cerca com a japonesa, pois são minhas.”

Gastronomia maranhense

 A gastronomia maranhense está ganhando seu espaço muitos falam que o Maranhão está na moda, mas não é que o Maranhão está na moda. É apenas o fato de que o Maranhão passou a acreditar nele. Poucas pessoas valorizam o maranhão como se devia. Nossa cultura não é ser bairrista. O mar de São Luís é lindo e por conta dessa coloração nós possuímos os melhores caranguejos. Hoje o pessoal de fora começou a enxergar o Maranhão de outra forma.”  

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