O período pandêmico intensificou os transtornos alimentares; estresse e ansiedade são os principais fatores por trás do aumento

A pandemia provocou mudanças emocionais nas pessoas e afetou o comportamento alimentar. O isolamento provocou ansiedade e estresse, o que aumentou o número de casos de distúrbios psicológicos, como consequência, transtornos alimentares. As pessoas passaram a comer excessivamente, não por estarem com fome, mas controlar emoções: é o chamado comer emocional.

As pessoas, por estarem tristes ansiosas, irritadas consomem alimentos compulsivamente, não por estarem com fome, mas para aliviar as emoções. Um estudo da psicóloga Marilda Lipp, pós-doutorado pelo National Institutes of Health, dos Estados Unidos, aponta que 53% dos brasileiros, para aliviar o estresse, comem, o que é péssimo. A comida não é usada para satisfazer a fome, mas como uma forma de escape, como uma forma de obter conforto, alívio do estresse, ou tirar ou evitar emoção negativa.

Se, por um lado, alguns experimentaram cozinhar mais a própria comida, outra parte optou por estocar comida ou pedir nos restaurantes locais.  Isso é evidente, uma vez que o mercado de delivery cresceu: o iFood chegou a 5 mil parceiros, uma alta de 418% em relação a 2020. De junho de 2019 a março de 2021 foram feitos cerca de 150 milhões de pedidos. Os números revelam uma população com uma alimentação desregrada e que passaram a descontar a ansiedade na comida.

As pessoas passaram a comer mais e mal. É o que aponta um estudo feito pelo Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, na Louisiana, realizado com quase 8 mil adultos de 50 países de diferentes partes do mundo. Segundo o levantamento, houve um recuo nos hábitos saudáveis durante a pandemia. Além disso, o isolamento social afetou a saúde mental, os níveis de ansiedade aumentaram significativamente. Aproximadamente 20% disseram que os sintomas, como sensação de medo e preocupação, são constantes. Aproximadamente 44% das pessoas relataram que a qualidade de seu sono também piorou durante a pandemia. Apenas 10% das pessoas afirmaram que seu sono melhorou desde o início da pandemia.

Lara Castro contou que devido ao luto, somado ao isolamento, buscou aliviar a tristeza na comida. “Com a pandemia engordei cerca de 30 kg. Isso se desenvolveu por situações que aconteceram como:  término e o luto pela perda do meu pai e se agravou por conta do isolamento. Na pandemia acabei refugiando os meus sentimentos em alimentos e bebidas alcoólicas”, disse. 

Os pesquisadores descobriram ainda que, como não saíam para trabalhar e passavam a maior parte do tempo em casa, a maioria das pessoas entrevistadas se tornaram mais sedentárias. As pessoas deixaram de realizar os exercícios físicos durante a pandemia, quando realizaram, não foi com mesma intensidade se comparado ao período antes da pandemia. De acordo com um levantamento feito Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado com 44.062 brasileiros, 62% dos entrevistados afirmaram que deixaram de fazer qualquer tipo de exercício durante a pandemia.

Fome física e fome emocional 

A fome emocional é aquele desejo de comer algo saboroso, que surge do nada. Ela é direcionada para alimentos específicos como massas, gorduras e doces que traz a sensação de prazer, ela tem origem na nossa mente e não passa mesmo depois de comer o bastante: pois diferente da fome emocional, temos a fome física, que é quando estamos com o estômago vazio. 

Comer emocional é um desafio difícil de quebrar. Vencer esse círculo vicioso requer muita força de vontade. Além disso, outros fatores podem dificultar uma alimentação saudável, como explica a nutricionista Glaucia Quemel. “Os vícios atrapalham, ainda mais pessoas que não buscam ter uma vida saudável, como por exemplo beliscar algo, fazer uso de refrigerantes, fumar, comer muito, aderir dietas da moda, pular refeições, ter uma noite de sono ruim. Tudo isso atrapalha um bom funcionamento do organismo e das horas que você deverá prestar em serviço”, afirmou.

Os transtornos alimentares

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 4,7% dos brasileiros sofrem de distúrbios alimentares. Mas na adolescência com as alterações hormonais esse índice pode chegar até a 10%. Os transtornos alimentares estão diretamente ligados a distúrbios psiquiátricos causados por alterações no comportamento alimentar que influenciam na saúde das pessoas. “É fundamental adotar um novo estilo de vida e adequar nossos hábitos aos fatores de saúde: o consumo de água, ar puro, exercício físico, luz solar, equilíbrio e repouso” afirmou Glaucia Quemel

Os transtornos mentais são desenvolvidos e correspondem a vulnerabilidades psicológicas que se desenvolvem a partir de alterações do organismo. No entanto, o alimento é um dos fatores que desencadeiam o problema. É fundamental adotar um novo estilo de vida e adequar nossos hábitos aos fatores de saúde: o consumo de água, ar puro, exercício físico, luz solar, equilíbrio, repouso, fé e espiritualidade.

Compulsão alimentar

A compulsividade alimentar é considerada um distúrbio alimentar que se desenvolve pela compulsão exagerada de alimentos, mesmo sem ter fome e da perda do controle da alimentação. De acordo com a nutricionista Glaucia Quemel, “A compulsão alimentar é um transtorno psicológico que pode começar devido a crises de ansiedade, problemas hormonais, dietas muito restritivas ou uma grande perda”, declarou.

A impulsividade em ingerir alimentos repletos de gordura saturada, afeta a produção de serotonina, hormônio do bem-estar, porém é momentâneo e pouco tempo após a ingestão vem a tristeza, arrependimento e sentimento de culpa. Porém, é importante ressaltar que a compulsão alimentar tem cura, especialmente quando identificada logo no início. Segundo a nutricionista Glaucia Quemel, pessoas com esse problema de saúde devem procurar apoio psicológico e orientação nutricional.

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