Após aumento de adoções no início da pandemia, o número de animais abandonados em São Luís dispara com a flexibilização das medidas contra a Covid-19.

A adoção de animais de estimação no início da pandemia aumentou, principalmente por pessoas que buscavam companhia contra a solidão do isolamento social. O entusiasmo fez com que as pessoas adotassem sem refletir sobre a responsabilidade de cuidar de um animal. Como reflexo da adoção por impulso, cresceu o número de animais abandonados nas ruas e em abrigos temporários de São Luís.

Segundo dados da pesquisa Radar Pet 2021, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (COMAC), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), houve um aumento acelerado no número de pets nos lares brasileiros no início da pandemia. Cerca de 30% dos pets pesquisados foram adquiridos durante o período de isolamento social. Sobre o perfil de tutores, 23% das pessoas consultadas, adquiriram o primeiro pet durante a pandemia, são principalmente pessoas que moram sozinhas.

Apesar do aumento de adoções nos primeiros meses da pandemia, entidades especializadas em resgate de animais relatam que os pets estão sendo abandonados, com a flexibilização das medidas preventivas contra a covid-19. O crescente número de animais abandonados tem superado a capacidade de acolhimento das entidades.

A Organização Mundial da Saúde estima que no Brasil existem mais de 30 milhões de animais abandonados. Desse total, 10 milhões são gatos e 20 milhões são cães. De acordo com a ONG Dindas Formiguinha, existem mais de 14 mil cães e gatos abandonados na capital São Luís.

Ellen Melo, presidente da ONG Jovens Pelas Patinhas, destaca a falta de políticas públicas para a solução do problema. “Não existe abrigo de animais em São Luís. Em caso de maus-tratos a gente liga para o corpo de bombeiros, eles ajudam no resgate. Mas eles não têm onde botar o animal porque não existe abrigo. É muito complicado a situação, porque são muitos animais de rua”, disse.

A flexibilização das medidas preventivas, o fim da restrição de viagens, fez com que os animais perdessem destaque e deixassem de ser suporte emocional para suprir a falta de interação social. Além disso, a crise, a inflação, a falta de empregos e recursos financeiros, tem contribuído para o crescimento de abandonos e devoluções de animais aos abrigos. A crise que assola o país afeta também diretamente as ONGs, que precisam de apoio e doação para manter os animais nos abrigos.

Aline Gomes, que atua na ONG Jovens Pelas Patinhas, afirma que a entidade recebe média dez pedidos de resgates diariamente, não apenas de pessoas, mas de outras ONGs que não estão dando conta de resgatar tantos animais abandonados.

“Nosso Instagram pipoca de pedido de ajuda o dia inteiro. É uma coisa surreal. A gente se sente com as mãos atadas porque não tem como abraçar todos. Não tem como ajudar a todos os pedidos que a gente recebe”, disse.

O abandono é considerado crime de maus-tratos no Brasil, pela Constituição e pela Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98. Essa legislação foi alterada em 2019, antes a lei previa pena de três meses a um ano, atualmente passou para dois a cinco anos para prática de abuso e maus tratos, além de multa e proibição do agressor ser tutor de animais.

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